"PEDAGOGIA"
BIRAGHIANA
por: Eliane Veloso*
A beatificação de Monsenhor Luís Biraghi,
além de encher de júbilo a congregação Marcelina,
oferece uma oportunidade de revitalizar o carisma educativo Marcelino com
a Missão, qual seja, de transformar a sociedade à luz
do Evangelho, seguindo os sinais dos tempos, tendo a ciência como
instrumento e meio, com firmeza e suavidade. A proposta pedagógica
Marcelina de educação e evangelização da sociedade
constitui um binômio indissolúvel e determinante do tipo de
formação oferecida aos seus educandos e tem como eixo central,
os princípios de educar evangelizando e evangelizar
educando.
Na pedagogia Biraghiana destacam-se características que lhe
conferem sua identidade própria: a) transformar a sociedade à
luz do evangelho por meio da construção do conhecimento; b)
espírito de família; c) austeridade e laboriosidade; d) firmeza
e suavidade; e) sabedoria e santidade; f) atenção aos sinais
dos tempos g) atualização constante dos educadores.
A opção pela educação escolar nasce da crescente
compreensão de que Monsenhor Biraghi que considera a cultura,
a ciência e o conhecimento como fatores potencialmente favoráveis
para promover o encontro, o diálogo entre fé e vida, entre
vivência religiosa e cidadania. Segundo ele, "vida não
é somente saber, é a pessoa inteira". Daí, não
crescer somente em cultura, é preciso observar que a velocidade
das pesquisas, favorecidas pelas novas tecnologias, produzem conhecimentos
cada vez mais numerosos e variados, em todos os domínios da vida
humana. A educação cristã deve ajudar crianças
e jovens a desenvolver sua dimensão religiosa, e assim, chegar a
uma experiência vital da fé, que os levará a viver uma
fé encarnada, que se revela nas relações humanas da
vida social e política, e numa conduta responsável e solidária,
especialmente para com os mais abandonados.
São de Monsenhor Biraghi as palavras: "educa-se mais
com bons exemplos do que com muitas palavras". Por isso, mantemos vivo
esse compromisso de transformar as relações sociais e a construção
de uma nova sociedade âmbito da educação, o que exige
que as iniciativas, para esse fim, sejam tomadas no seio do estabelecimento
escolar, por meio de atividades pedagógicas nas diversas áreas
de conhecimento.
A educação não é só ciência, mas
é também arte. O ato de educar é complexo. O êxito
do ensino não depende tanto do conhecimento do professor, mas da
sua capacidade de criar espaços de aprendizagem, vale dizer, "fazer
aprender" e, de seu projeto de vida de continuar aprendendo.
Nesse contexto procuramos em nossa prática destacar as "competências
de vida" ou os "saberes de experiência feitos", como
costumava dizer Freire. A questão das competências está
ligada ao tema de como aprendemos. Aprendemos atuando, empreendendo, agindo.
A ética é parte integrante da competência do professor,
do saber ser professor. Isso significa que um professor que não tem
um sonho, uma utopia, não é comprometido, não é
competente e não é ético. Não se pode educar
sem um sonho. Ensinar por ensinar, mecanizar, desumanizar o processo educativo
é não ser ético. Aprende-se ao longo de toda a vida,
desde que se tenha um projeto de vida.
O papel das emoções no processo de aprendizagem
é decisivo: razão e emoção não são
instâncias separadas no ser que aprende (Wallon). A emoção
é parte do ato de conhecer.
O professor Marcelino é um educador . Ele é um profissional
do encantamento. Num mundo de desencanto e de agressividade crescentes,
esse educador tem um papel biófilo. É um promotor da vida,
do bem viver, educa para a paz e a sustentabilidade. Não podemos
abrir mão de uma antiga lição: a educação
é ao mesmo tempo ciência e arte. A arte é a "técnica
da emoção" (Vygotski).O profissional da educação
é um profissional que domina a arte de reencantar, de despertar nas
pessoas a capacidade de engajar-se e mudar.
A pedagogia do Fundador do Instituto das Irmãs de Santa Marcelina
é definida pela busca do saber experiêncial, em relações
significativas e transformadoras, que construam convicções
profundas, capazes de sustentar o ser e o agir.
Nesse momento em que vivenciamos a obra de Monsenhor Biraghi com
nosso trabalho cotidiano, apoiamo-nos também na primeira Encíclica
do Papa Bento XVI,
"Deus caritas est " (Deus é amor). O texto inicia afirmando
que a opção fundamental da vida do cristão está
baseada na certeza transmitida pelo apóstolo e evangelista João:
"Nós cremos no amor de Deus". Conclui fazendo uma
síntese do que pretendeu apresentar: "O amor é possível,
e nós somos capazes de praticá-lo, porque criados à
imagem de Deus". O convite que faz pode ser resumido num apelo: vivam
o amor "ágape" ( doação ) e, deste modo,
façam entrar a luz de Deus no mundo.
Continuemos invocando a intercessão do nosso fundador, para que possamos
responder significativamente às exigências dos tempos atuais
sempre mais desafiadores, tal como ele tão bem respondeu ao seu tempo,
prolongando sua audácia e confiança irrestrita na fidelidade
de Deus nesses 168 anos da fundação da Congregação
, que atende, hoje, jovens e crianças em colégios, universidades,
missões e obras sociais no mundo inteiro.
*Eliane Maria Veloso: Mestre em Informática Educativa pela
UFSC; Especialista em Psicopedagogia,
Coordenadora Pedagógica Geral do CSM/BH
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
FREIRE, Paulo. Educação e mudança.
Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979.
----------. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar.
São Paulo, Olho D'Água , 1993.
----------.Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1997.
LEITE, Ir. Zélia Maranhas Dias. Especial Biraghi.
Belo Horizonte,2001.
http://www.escolas.trendnet.com.br/stamarcerj
/24horas/Pastoral/especial_biraghi/index.htm
acessado em 12/02/2006
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi
/encyclicals/documents
/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
acessado em 12/02/2006