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O Diálogo Inter-religioso como princípio
Edmar Avelar de Sena |
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Porém, como já salientava Berger¹, há anos, em sua conhecida obra "O Dossel Sagrado", a mente humana abomina a insegurança, e é neste sentido, que a situação de pluralismo tornou-se um paradoxo: a diversidade que poderia ser uma riqueza fez surgir os ventos violentos do fundamentalismo. Isso porque sentimos insegurança diante do diferente e diante das várias cosmovisões, como se o chão sacudisse a nossos pés. Mas é exatamente por ser desafiador que o diálogo com o diferente pode parecer perda de identidade. Essa falsa impressão de se sentir enfraquecido frente ao outro, abriu a possibilidade de uma busca violenta pela afirmação de identidades. O remédio do diálogo tornou-se amargo demais; a riqueza da diversidade converteu-se em empobrecimento da experiência religiosa trazida pela radicalização das identidades e pela busca de uma fundamentação literal do sagrado. Assim, assistimos a atos de intolerância e rejeição,
à condenação prévia e ao julgamento público
do diferente. Mas quem é o fundamentalista? Fundamentalista "é
aquele, portanto, que está muito mais interessado em guardar a
letra da doutrina do que em fazer vivificar o seu espírito²"
, isto é, aquela posição que ignora qualquer possibilidade
de diálogo. E o fundamentalismo, segundo Boff, Mas falar de pluralismo religioso implica falar de secularização, ambos são fenômenos da modernidade. Secularização nas sociedades modernas, como observa Sanches, é o "processo desencadeado pela modernidade em que a religião perde o lugar de referência primordial para a compreensão do mundo" . Em outras palavras, podemos dizer que a secularização é a saída da religião do meio público e seu assento fica reservado à esfera privada. É ruptura de um monopólio religioso. Apenas o aparecimento de diversas formas de crer numa sociedade não designa propriamente um pluralismo religioso, ainda segundo Sanches, é necessário fazer uma diferenciação entre pluralismo e pluralidade:
Nesse sentido, para que haja um pluralismo religioso é preciso também que haja um Estado secularizado e que as estruturas socioculturais estejam abertas ao reconhecimento das práticas religiosas diversas. E o campo religioso brasileiro? Aqui uma pergunta nos inquieta: existe diversidade ou não quando falamos de religião, pluralismo autêntico ou apenas uma pluralidade, várias formas de crer coexistindo num mesmo espaço? A resposta a estas perguntas fogem ao objetivo deste pequeno artigo e necessitam de uma análise profunda das diversas ciências que se debruçam hoje sobre o estudo das religiões na sociedade. Mas uma reflexão é possível ser feita a partir dos dados obtidos no censo 2000 sobre as religiões no Brasil. Se olharmos apenas os números somos levados a pensar como Pierucci que ao analisar tais números sugere que não há diversidade em nosso meio:
Desta forma, podemos fazer a seguinte reflexão: se os números não nos ajudam a compreender em que grau vivemos uma diversidade religiosa e se, ao mesmo tempo, as próprias estruturas da sociedade parecem ainda não configurar um palco para o pluralismo, qual o objetivo do diálogo? Dialogar com quem e para quê? O diálogo inter-religioso possibilita a comunhão fraterna em diferentes horizontes de fé, ao contrário do que pensa a posição fundamentalista, o diálogo não anula as identidades, mas parte delas para estabelecer a convivência. A unidade na diversidade é a busca, o caminho da esperança e da paz. Seja na koinonia cristã, na ummah islâmica ou na sanga budista, o diálogo é sempre a abertura e a demonstração de que um outro mundo é possível. ______________________ ² PANASIEWICZ, Roberlei. Pluralismo religioso contemporâneo: diálogo inter-religioso na teologia de Claude Geffré. São Paulo: Paulinas; Belo Horizonte: PUC Minas, 2007. P52. ³ BOFF, Leonardo. Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. P. 25. 4 SANCHES, Wagner Lopes. Pluralismo religioso: as religiões no mundo atual. São Paulo: Paulinas, 2005. (coleção Temas do Ensino Religioso) p. 30. 5 SANCHES,
Wagner Lopes. Pluralismo...Op cit, p.39.
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