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| Catequizar à luz do itinerário de Emaús
Ir. Lair Vieira
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Proclamando o Ano Catequético, a Igreja do Brasil quer dar um novo impulso à catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado , buscando, assim, atingir o homem de hoje que, mergulhado num profundo materialismo, procura prescindir de Deus e dos valores evangélicos. Para Biraghi, a catequese é instrumento capaz de tocar o coração do homem ,convertê-lo e torná-lo um agente transformador da sociedade.” A exemplo dos Apóstolos , tenham também grande zelo pelo ensino do catecismo, pois o catecismo salvou o mundo e só o catecismo pode salvá-lo de novo” (1ª Regra- 1853 –p.25). Biraghi pede às suas Marcelinas que preparem as alunas para que assumam o trabalho catequético, sempre em comunhão com a Igreja . “Onde os párocos desejarem, colaborem também com algumas alunas no ensino da doutrina cristã nas Igrejas, nos oratórios, na preparação aos Sacramentos” (Const. 1980 [58]). A Marcelina, portanto, se sente convocada a assumir o Ano Catequético em comunhão com a Igreja, a rever seu fazer catequético na escolas, nos hospitais, na paróquia ,à luz dos Discípulos de Emaús, para que a catequese seja caminho para o discipulado e, uma vez discípulo, o cristão se torne um agente efetivo da evangelização. A experiência dos Discípulos de Emaús, narrada por Lucas, foi o texto escolhido como itinerário inspirador da renovação que a Igreja quer provocar com a vivência do Ano Catequético. Lucas retoma o tema do caminho presente na História da Salvação. Abraão e Sara fazem história, caminhando para a terra prometida . Moisés caminha 40 anos, buscando a libertação. E no caminhar amadurece sua fé, prova sua fidelidade, assume o projeto de Deus. O modelo do caminhante é Jesus. Em seu caminhar, acolhe, cuida, cura, instrui... torna-se caminho. Os primeiros cristãos foram chamados homens do “ caminho”. È igualmente em nosso caminhar que nossa descoberta de Deus, nosso crescimento na fé, nosso assumir Jesus, acontece. A narração dos Discípulos de Emaús nos apresenta uma verdadeira pedagogia da catequese. Dois discípulos, frustrados em suas expectativas em relação a Jesus, tomam o caminho de Emaús. Um peregrino se aproxima. Mostra interesse por eles. Explica as Escrituras. O coração arde. O pedido acontece: “fica conosco”. E, no partir do pão, a grande descoberta: é Jesus. Renovados os discípulos voltam a Jerusalém. A caminhada feita por Jesus com os discípulos de Emaús é modelo da verdadeira iniciação cristã em seu núcleo essencial: encontro vital com o Senhor, escuta e compreensão da palavra, adesão e celebração. “Jesus se aproxima e caminha com eles”(cf. Lc 24,15). A exemplo de Jesus , o catequista precisa acolher, escutar, conhecer a realidade do catequizando para, caminhando com ele, anunciar .Só assim a catequese levará a um encontro pessoal com Jesus Cristo. “ E, começando por Moisés , passando por todos os profetas, explicou-lhes, em todas as escrituras, as passagens que se referiam a ele” (cf.24,27). O texto de Lucas nos mostra a importância da Palavra de Deus na catequese. A Escritura ajuda a entender o momento histórico que os discípulos estavam vivendo e a perceber a presença de Jesus no caminho. A Bíblia é a primeira fonte da catequese, mas não basta fala da bíblia, é preciso propiciar condições para que o catequizando, passo a passo, aprenda a entrar em contato com o texto bíblico. “ Jesus tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o entre eles (Lc 24,30). A catequese deve aprofundar o sentido do Mistério Pastoral e recuperar a essencialidade do domingo. A Eucaristia é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, e o domingo, um momento de encontro que fortalece a identidade da fé, propicia o encontro fraterno e alimenta a vida de comunhão. Os discípulos reconhecem Jesus e expressam seu entusiasmo “Não estava ardendo nosso coração...” Lc 24,32). Novo ardor movem-lhes os pés e voltam à missão. Que o Ano Catequético traga para cada Marcelina um reencantamento na fé e um novo ardor missionário em seu caminhar, construindo o Reino de Deus através da catequese. Fica conosco, Senhor. Caminha conosco.
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