PRÁTICA PASTORAL PEDAGÓGICA
   
       
   

ENSINO FUNDAMENTAL II – 9º ANO - 3ª ETAPA 2009
ENSINO RELIGIOSO – PROF. PAULO AGOSTINHO N. BAPTISTA

  AS NORMAS, OS MANDAMENTOS E O PLANO DE DEUS

O ser humano é ser social, é ser-de-relação. Não vive sozinho, depende do outro desde seu surgimento. Para que haja convivência ele deve exercer sua liberdade em diálogo com os outros. Não há vida verdadeiramente humana sem que haja a convivência entre as liberdades, a nossa e a dos outros. Negar a liberdade é negar o ser humano. Mas liberdade não significa fazer o que se quer. Isso é libertinagem. Muitos erram ao pensar que liberdade é fazer “o que dá na cabeça”. Se cada um fizesse isso não haveria vida social. Haveria uma guerra de todos contra todos. Liberdade é possibilidade de expressão de nosso ser em diálogo e em articulação com a liberdade dos outros. A minha liberdade não termina quando começa a do outro. Não! Ela convive e se relaciona com a liberdade dele. Por isso, criamos regras, normas de convivência. Assim nasceram os mandamentos, as leis, as constituições, as normas da escola.

Vejam esse argumento do campo sócio-jurídico: “ao longo de gerações foi determinado empiricamente que o ser humano deve viver em sociedade, forma de vida que trouxe ao gênero humano, uma série de vantagens: a) a proteção mútua contra perigos naturais e inimigos, humanos e selvagens; b) a especialização das atividades que visavam à sobrevivência de cada um em especial e, por isto mesmo, do próprio grupo em geral; c) a perpetuação da espécie, pela não necessidade de se desligar do grupo para procurar um par, visando ao acasalamento. [...] Assim, assegurada a proteção física e conseqüentemente sua sobrevivência individual, pôde o homem partir para a determinação do seu papel na organização dos grupamentos básicos que a sua própria existência determina: a família e as relações de trabalho.” (NEVES, 2005).

E completaríamos, a escola, as religiões, os clubes... Assim foi se construindo a consciência de que o ser humano é pessoa e ser de direitos. “Obviamente houve uma longa evolução histórica até se poder dizer que todo homem é sujeito de direitos, que tem capacidade de direitos e obrigações e, portanto, personalidade jurídica. O próprio direito romano – como de resto a maioria das legislações antigas - conhecia a condição humana de escravo, grosso modo, pelo nascimento, pelo apresamento na guerra ou pelo pagamento de dívida. De fato, GAIO já propunha, nas Institutas , a summa divisio hominum em livres e escravos. Estes últimos eram privados de sua liberdade, destituídos de personalidade, equiparados a animais e às coisas. O princípio Servus est Res (servo é coisa) foi abrandado paulatinamente, principalmente com a introdução do Cristianismo nas fronteiras do Império, sendo que aos poucos o escravo foi passando a ser considerado homem.” (NEVES, 2005).

Na medida em que a consciência de direitos se desenvolve, o ser humano usou sua criatividade para elaborar suas regras. “ As regras têm a função essencial de conservar os valores. Valores são produtos de um sentimento, construído a partir da relação com os objetos e com outros. Este sentimento ou ato afetivo permite o ‘eu' projetar no objeto ou em outro e atribuí ao objeto e a outros valores significativos que podem ser positivos ou negativos.” (REIS et al, 2009).

O código de Hamurabi (1.700 aC) é um dos exemplos mais significativos e também uma das mais antigas expressões de organização de regras e de leis. Assim, também acontece com os dez mandamentos.

Os dez mandamentos querem orientar a sociedade para valores fundamentais. No fundo está um plano, o plano de Deus. Vejamos o que nos diz esse plano na visão de Frei Gilvander.

Paulo Agostinho N. Baptista

Plano de Deus: Comunhão universal entre todos e tudo

(Publicado na REVISTA ADOREMOS, ANO 89, nº 898. abril/2003, sessão: Espiritualidade, p. 37.)

Frei Gilvander Moreira (1)

"Nosso Deus tem um plano, e este plano coincide com os melhores planos de todas as pessoas e de todos os povos: a vida, no tempo e mais além da morte, a paz da justiça, a liberdade na diversidade, a unidade da família humano-ecológica, num mundo sem primeiro nem terceiro, dentro da lei suprema do amor. Este plano é nosso plano" . Texto-Base do 10º Intereclesial CEBs.

"Toda a criação geme e sofre em dores de parto" (Rm 8,22)

“Que todos tenham vida (e liberdade) em abundância” . (Jo 10,10)

1) Introdução

Um camponês lá de Arinos/MG me dizia: “O mundo vai mal, porque as pessoas não seguem o Plano de Deus. Leis justas são as leis de Deus.” Feliz da pessoa que segue a vontade do Deus da Vida, solidário e libertador. Mas como descobrir o que é vontade de Deus?

Plano é plano e Deus é Deus. Plano é projeto e este convida à participação; não é algo acabado, é algo processual; demanda corresponsabilidade; está em construção. Queremos falar sobre o plano de Deus, não plano de Taliban e muito menos plano de Talibush. Infelizmente em nome de Deus tem sido feito verdadeiros genocídios, massacres e atrocidades. Quem é Deus? A resposta a esta pergunta exige respondermos a outra pergunta existencial: Quem somos nós? Não podemos reduzir Deus a uma projeção humana. O grande filósofo Feurbach já denunciou os riscos de confundirmos Deus com projeções humanas.

No passado, e ainda no presente, muitas imagens de Deus serviram e ainda servem para meter medo nas pessoas, paralizá-las, mantê-las na infantilidade. Precisamos de-construir muitas imagens de Deus e re-construir imagens mais libertadoras. O Deus verdadeiro abomina toda e qualquer idolatria, seja ela do mercado, do capital ou da tecnologia. Nosso Deus nunca foi nem é vingativo, não pune, não mete medo, não é “onipotente” (ou todo poderoso). Nosso Deus é Amor, 1000% amor, só misericórdia.  

2) Partindo da nossa realidade

A estrutura de violência e de exclusão está nos fragmentando e nos deixando em cacos. É hora de re-compor os cacos em um grande e articulado mosaico; é hora de re-integrar as nossas forças e as energias vitais.

Vivemos uma hora perigosa. Tempos de fundamentalismos, de céus povoados de anjos e entidades, de demônios por todos os lados, de gritaria de deuses, de promessas, de busca insaciável de bênçãos, de procissões, de peregrinações, de necessidade de expiação, de moralismos, de religiões sem Deus, de salvações sem escatologia, de cristianismos light , de libertações que não vão muito além da auto-estima.

Clamores ensurdecedores brotam dos porões da humanidade. A mãe Terra clama para ser salva. Medo, Insegurança e instabilidade atingem a todos. Estamos vivendo uma revolução profunda , a da era da cibernética, da robótica, da internet. Na história da humanidade já atravessamos diversas revoluções profundas, tais como a Revolução da agricultura, na época do neolítico e a revolução industrial, na época moderna. As revoluções profundas trazem mudanças substanciais na forma de encarar o mundo, nas relações e na estruturação da vida sócio-político-econômico e culturalmente.

As colunas mestras que sustentavam a sociedade moderna estão em crise profunda: a família não consegue ser mais aquela família de uns 30 ou 40 anos atrás, onde o pai patriarcal reinava e mulher e filhos obedeciam. O Estado não consegue mais ser instrumento da realização do bem comum. A escola não está conseguindo formar para humanidade. A religião e as igrejas estão em crise também.

Estamos numa travessia. João Guimarães Rosa termina Grande Sertão Veredas dizendo que o que importa é a travessia. Vivemos tempos de de-construção e de re-construção. Construções antigas não respondem mais aos apelos hodiernos. Como fazia o profeta Jeremias, primeiro precisamos destruir e arrancar para depois construir e plantar (cf. Jr 1,4-10). Ou como filosofava Nietzsche: primeiro, temos que quebrar todos os ídolos para deixar irromper o Deus verdadeiro e libertador.  

3) Olhando no retrovisor que é a Bíblia

Para entender o Plano de Deus, faz bem olharmos no retrovisor que é a Bíblia, e especificamente, voltar nossos olhos com benevolência para Jesus de Nazaré, pois este nos ajuda a conhecer melhor Deus, nosso Pai e Mãe.

Para Jesus, e para o cristianismo, o Deus verdadeiro está no outro, preferencialmente. Está em cada um/a de nós, mas está, por excelência, no outro. Deus não pede nada para si mesmo. Deus não quer ser objeto do nosso amor. Deus é sujeito de amor. Quem diz a Deus: “Quero te amar!”, Deus responde: “Ficarei muito feliz se você amar o seu próximo, o outro, seu irmão”. “Não se preocupe comigo; ame meus filhos e filhas que são todas as criaturas”, poderia continuar Deus dizendo.

No programa de Jesus apresentado na sinagoga de Nazaré (Lc 4,18-21) compõe-se de um plano de libertação integral, o que inclui libertação política (libertação dos presos), social e econômica (evangelizar os pobres), ideológica (restituição da visão) e “religiosa” (proclamação do Ano de Graça do Senhor). Assim Jesus apresenta o plano de Deus: libertação geral para todos e tudo.

O plano de Deus é que não existam empobrecidos na sociedade (Dt 15,4), que não existam excluídos, mas que todos sejam incluídos como cidadãos/as. Assim, por exemplo: fazer memória do Ano do Jubileu e do Ano Sabático gera esperança, acorda potencialidades adormecidas. Por exemplo, a palavra “quilombo”, ao ser pronunciada ou ouvida, tem o poder de nos recordar a capacidade de resistência do povo negro e de nos encher de novas energias.

O plano de Deus defende uma comunhão holística, "total": material e participação na mesma mesa da vida. Nosso Deus, solidário e libertador, não quer somente fraternidade "espiritual" ou de amizade, mas também fraternidade econômica, política e cultural. Não agrada ao Espírito de Deus pessoas que se encontram para a eucaristia aos domingos, mas que durante a semana são umas opressoras das outras. Lucas quer estourar as oposições de classes. Se ricos e pobres, judeus e não-judeus, homens e mulheres, trabalhadores e patrões e ... comem em lugares diferentes, moram em casas de qualidades muito diferentes, o cristianismo terá um conteúdo diferente para cada grupo e não haverá realmente uma comunhão. É ilusória a comunidade na qual uns poucos se banqueteiam e outros passam fome, na qual uns têm casas próprias e outros devem amargar em aluguéis caríssimos, na qual uns ganham demais e outros não ganham quase nada, na qual uns vivem no luxo e outros sobrevivem do/no lixo; na qual uns detêm o poder(2) e outros são subjugados.

O teólogo da libertação Leonardo Boff nos ajuda a superar certas concepções reducionistas que empobrecem o nosso viver. Quanto mais alargamos nosso modo de entender a vida, a realidade que somos e que nos envolve, mais teremos melhor qualidade de vida. O plano de Deus é que vivamos como uma verdadeira Comunidade de Vida. Não dá para continuarmos pensando que existe o meio ambiente, a ecologia e nós os humanos, como se fôssemos superiores ao resto da criação. Basta de antropocentrismo. É hora de percebermos que fazemos para de uma grande Comunidade de Vida, composta por todos os seres minerais, animais, vegetais e humanos. Somos todos filhos e filhas do mesmo forno. Todos e tudo estão conectados numa relação de inter-retro-projeção. Tudo o que acontece com um dos membros desta comunidade de vida acontecerá conosco, mais cedo ou mais tarde.

Temos vocação para o infinito; somos herdeiros do céu e da terra. Nosso Deus é o Deus Criador da Vida. Jesus veio para que todos tenham "vida e vida em abundância" (Jo 10,10). Nossa fé no Deus solidário e libertador, nossa fé na força escondida nos pequenos e nossa esperança de que construir um outro mundo possível, necessário e urgente, nos dá força para caminhar. É Deus quem nos anima. Assim diz Deus, nosso Senhor: "Segure os soluços e enxugue as lágrimas, porque há uma esperança para a sua dor... existe uma esperança de futuro" (Jer 31,16-17).

Quem se sente participante ativo do plano de Deus é entusiasmado.

Entusiasmar-se é muito mais do que sentir Deus dentro da gente; é cultivar a convicção de que vivemos dentro de um Deus que é compassivo-misericordioso e libertador, um Deus que ferve o sangue de indignação contra toda e qualquer injustiça feita contra qualquer criatura em qualquer parte do universo. Vivemos inundados por Deus. Deus nos envolve, permeia toda nossa existência, perpassa-nos. Poderíamos dizer que "nós somos os peixes e Deus é o mar", uma imensidão de gratuidade e de presença amorosa libertadora. "Em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (At 17,28). Deus é sempre mais e sempre maior. O Artista maior das nossas vidas não é "onipotente", porque não age como ditador impondo a sua vontade. Deus não é padrasto; não é paternalista; não é assistencialista. Deus não atropela as nossas liberdades. Deus é 100% amor; é pai e mãe. Por isso não impõe nada, mas se limita a propor ternamente. Podemos dizer sim ou não ao seu Projeto libertador e humanizador e temos que assumir as conseqüências. Por ser amor, Deus é eminentemente "frágil" , pois nos deixa livres, respeita o nosso direito de ser diferente, muitas vezes têm "uma paciência danada" conosco, mas sabe que mais cedo ou mais tarde daremos a nossa adesão ao seu projeto de amor e de libertação que se realiza em Tempos de Exclusão. A ação de Deus é como fogo no capim seco ou como água morro abaixo: ninguém segura.

Deus respeita o princípio de subsidiariedade, ou seja, o maior não faça o que o menor pode e deve fazer. Deus não intervém no que pode e deve ser feito pela humanidade. Deus é santo, é o totalmente Outro. Nós somos criaturas co-criadoras. Incomoda muita gente o fato de que Deus parece estar de braços cruzados na arquibancada da vida, enquanto 2/3 da humanidade estão sendo crucificados. Uma pessoa incomodada com o sofrimento dos inocentes questionou um sábio indiano: “Deus não faz nada para salvar os inocentes da cruz?” O sábio respondeu: “Você foi feito!”

4) O plano de Deus passa pelo Resgate da Teologia da Criação.

Para contribuirmos com o plano de Deus precisamos resgatar a Teologia da Criação. Basta de considerar o pecado original como ponto de partida para pensar e organizar a vida. A Criação é boa, é muito boa(3) , é beleza, é o ato primeiro. A partir da Teologia da Criação podemos re-interpretar o episódio do pecado original em chave filosófico-antropológica, a qual nos levará à seguinte reflexão: O mito do pecado original é um mito que quer falar do processo de maturação pelo qual todos nós somos convidados a passar. Aquele "deus" que proibiu os seres humanos comer do fruto da árvore do conhecimento queria que os humanos se mantivessem sempre na fase infantil, sempre submissos e dependentes para que deus pudesse ser onipotente, todo poderoso. Mas a mulher (Eva) se rebelou contra a idéia de ficar sempre infantil e dependente, quis crescer, ganhar autonomia. Por este prisma devemos ver que em Gn 2,4b-3,24 temos um mito sobre o amadurecimento humano. Devemos enterrar a idéia de pensar teologicamente a partir do pecado (original). Este é ato segundo, induz-nos ao pessimismo, a complexos de culpa. Devemos fazer Teologia a partir do Ato Primeiro que é a Criação, fruto bom e gratuito do infinito amor que Deus tem por nós.

5) A Física Quântica inspira um novo Plano de Deus

Nova física, física Quântica, na esteira da teoria da relatividade, "princípio da indeterminação "(4) nos fazem repensar o Plano de Deus, a vida e a nossa organização. O estudo das partículas subatômicas tem mostrado que não existem elementos fundamentais isolados, mas uma rede extremamente complexa de relações e inter-conexões, não constituindo as partículas objetos ou coisas independentes, mas um conjunto de conexões. Deparamo-nos com feixes de energia, não com substâncias materiais, como pensava a física clássica. Não existe dualismo entre matéria e energia. Matéria é energia condensada e energia é matéria "volatilizada". A matéria, colocada sob altíssima velocidade, se transforma em energia e esta, sob baixa velocidade, se transforma em matéria. Assim matéria e energia se relacionam não mais em termos de oposição e confronto, mas em termos de complementariedade, de cooperação.

O ser humano passa a ser visto como um sistema complexo de relações e conexões, em íntima conexão com o todo que é a família humano-ecológica. Emerge, assim, uma imagem do ser humano integrado, que articula em equilíbrio dinâmico, o racional e o intuitivo, a auto-afirmação e a cooperação, o Yin e o yang, o masculino e o feminino. Nesta visão do ser humano, o que predomina é a complementação e não mais a oposição ou a luta (5).

Uma visão integrada do ser humano é própria do mundo cultural judaico-semita. No mundo bíblico o ser humano é visto como uma unidade. Os termos bíblicos utilizados, seja em hebraico (nefesh, basar, lebeb etc), seja em grego (psyché, pnêuma, soma, kardia, etc) designam aspectos do ser humano, mas sempre referidos ao homem ou à mulher vistos sempre como uma unidade.

Nesta perspectiva o Plano de Deus nos inspira a superarmos a noção de ser humano como mero consumidor, como um competidor, um egocêntrico por excelência. Basta de dualismos, trilismos ou esquartelismos.

Com Jesus, “o véu do templo se rasga” (Lc 23,45) e “ninguém deve chamar de impuro aquilo que Deus criou” (At 10,15), isto é, não há mais separação entre puro e impuro, entre santo e pecador, entre transcendência e imanência, entre dentro e fora, entre sagrado e profano etc. Tudo e todos são banhados pela dimensão divina e transcendente da vida. Logo em cada um/a de nós estão o feminino e o masculino, o bom e o mal, o sagrado e o profano etc.

Jesus se tornou tão humano que acabou se divinizando. Pelo seu relacionamento íntimo com o Pai, ao qual chamava de papai, paizinho (abbáh, em hebraico), Jesus nos revela uma característica fundamental que perpassa toda a experiência do povo de Deus da Bíblia: O Deus comprometido com os pobres é um Deus transdescendente. Não é somente transcendente. Sua transcendência se esconde na imanência. A partir do Êxodo, constatamos como Javé é um Deus que ouve os clamores dos oprimidos e desce para libertá-los (Ex 3,7-9). No início do Gênesis, o Espírito desce e paira sobre as águas. Em Jesus de Nazaré, Deus se encarna, descendo e assumindo a condição humana, tendo “nascido de mulher” (Gl 4,4). No Apocalipse, vemos que Deus larga o céu, desce, arma sua tenda entre nós e vem morar conosco definitivamente. Logo, um movimento de transdescendência perpassa toda a Bíblia. Em Jesus está refletido esta característica.

Jesus, pela sua prática e ensinamento, com audácia, propõe uma revisão do núcleo da Re-ligião. Com Jesus Deus não mais está fora, nem acima, nem distante; nem é “onipotente”. O Deus de Jesus co-participa dos processos de libertação. Jesus relativiza os meios tradicionais de relacionamento com Deus: Oração, jejum e esmola. Jesus faz uma “revolução copernicana” ao colocar Deus dentro da Pessoa Humana, dentro da História e das Relações. Assim procedendo, Jesus des-hierarquiza o jeito de viver a Religião. Jesus aponta para a Comunhão de tudo com todos, onde devemos participar, tomar parte como membros de uma teia da vida com vocação para o infinito.

O plano de Deus se manifesta no Decálogo (cf. Ex 20,1-17). Não podemos reduzir o Decálogo aos dez mandamentos. Primeiro que não são mandamentos, no sentido de ordens; são princípios inspiradores para ajudar a reconstruir a sociedade a partir de novos valores. Segundo que o decálogo é endereçado a todo o povo e não somente a indivíduos. É a sociedade que não deve matar, ou seja, que deve ser organizar de modo que a vida ser preservada e valorizada. A sociedade não pode ser idólatra etc. Tremendamente eloqüente é que o coração do decálogo é Não Matarás! Dito de forma positiva: Faça viver todos e tudo! Eis o coração do plano de Deus: vida e liberdade para todos e para tudo. Este caminho é santo e bom. Caminhai por ele.

(1) Mestre em Exegese Bíblica, professor de exegese e teologia bíblica e assessor de Movimentos populares.
(2) Uma Igreja que se apega e casa com o poder trocou o Evangelho por uma aliança com o diabo.
(3) Cf. Gn 1,-2,2; especialmente Gn 1,10.12.18.21.25.31.
(4) Cf. FREI BETTO, "Um porre quântico", Correio da Cidadania, 17-23/março, 2000.
(5) Cf. F. CAPRA, O Ponto de Mutação, Ed. Cultrix, s/d, São Paulo, pp. 19-46.

Referências

MOREIRA, Frei Gilvander. Plano de Deus: Comunhão universal entre todos e tudo. Revista Adoremos , ANO 89, nº 898, p. 37, abril/2003.

NEVES, Getulio Marcos Pereira. O homem e a norma. Revista Sociologia Jurídica , n. 1, jul.-dez. 2005. Disponível em: <http://sociologiajur.vilabol.uol.com.br/rev01gneves.htm>. Acesso em 15 nov. 2009.

REIS, Ana Cristina; DIPEL, Vânia Cristina, MANOEL, Edison de J. A importância da construção de regras para o desenvolvimento da moralidade Infantil. Disponível em: < http://www.efescolar.pro.br/Arquivos/arq_2009_11.pdf >. Acesso em 15 nov. 2009.

ATIVIDADE EM GRUPO: 3 ou no máximo 4 alunos

Leia os textos, reflita em grupo sobre cada uma das questões abaixo e depois faça o registro em folha com

separada, não se esquecendo de colocar o cabeçalho completo. Se precisar citar alguma parte do texto, use aspas.

QUESTÕES:

•  O que levou o ser humano a criar normas, leis e mandamentos? Explique.

•  O que significa regra e mandamento no texto? Descreva esses conceitos.

•  O que diz o Plano de Deus na visão de Frei Gilvander? Explique os elementos que fazem parte desse plano.

•  A partir do projeto Cidadania, o que mudou na percepção do grupo sobre os direitos e deveres? Explique e exemplifique a partir de pelo menos dois trabalhos apresentados.

•  É possível encontrar nos textos acima relação entre aspectos éticos, sociais, antropológicos e religiosos? Explique.

 

   
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